Um gol para enfeitar o Futebol

O gol mais bonito de Alex já havia sido perpetuado por José Silvério. Agora, ele também fica eternizado por Albérico Bini

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Alex corre pelo meio, impávido.

A bola caminha pela direita nos pés de Arce.

Pela esquerda do gramado do Cícero Pompeu de Toledo está Christian.

Alex corre pelo meio.

Arce entrega para Christian.

E Alex corre pelo meio.

Christian vê o camisa 10 despontar veloz no meio da pista.

Ele passa de primeira e a bola vem rasteira, um pouco saltitante pelas imperfeições da grama. Alex desacelera, espera o compasso da bola, entra no seu ritmo e a toca de chaleira, fraternal, pegando o couro por baixo e o fazendo subir à altura da cabeça do beque, que a essa hora só indaga por que foi escalado para estar ali naquela hora funesta.

É um desconcertante chapéu.

A bola cai e Alex tem diante dele os 7 metros do gol e a envergadura de Rogério Ceni.

A pelota volta a pular e sobe à altura perfeita, como que combinado com o acaso, dos pés de Alex.

Ele saca da sua enciclopédia de dribles um dócil toque de lado e lança a bola por cima da cabeça, dos braços e das mãos de Ceni.

É o mais aviltante dos chapéus.

PALMEIRAS X RIVER: VEJA O PÔSTER DO GOL DE ALEX QUE ABRIU CAMINHO PARA AS AMÉRICAS

Nesse segundo, o arqueiro move os braços para os lados. Há quem diga que ele está tentando parar a bola e evitar que uma tela digna do Louvre seja pintada ali, nos jardins do Morumbi. Mas eu gosto de pensar que, na verdade, lá no âmago, Ceni quer impugnar a jogada. Ele está berrando por um juiz, sedento por um bandeira, desesperado por um assiste que enxergue alguma coisa que não aconteceu e assopre o apito, trazendo de volta sua reputação infalível.

Mas ninguém diz nada. Todo mundo só sabe olhar. Quem está ali agora, na arquibancada, na grama, nas cabines de TV, sabe que está testemunhando um gol assombroso, que será venerado por gerações inteiras, reverenciado pelas maiores fábulas do Futebol.

Alex olha para cima. A bola está caindo. Um beque ainda tenta guardar a honra do sistema defensivo envolto num estratagema sinistro. Mas não há nada que ele possa fazer – Alex e a bola já combinaram tudo antes. A trama medonha está pactuada: ela vai descer no pé esquerdo implacável do camisa 10 e ele vai arrebentar cada costura da rede tricolor.

E é precisamente isso o que acontece. Acossado por um beque e o arqueiro, Alex não tem tempo para pôr o couro no chão. Nem tem a insolência de entrar com bola e tudo. Ele estufa, de canhota, sem cair, sem pingar, num voleio inusitado, e tece um dos mais colossais tentos do Futebol.

Agora, esta façanha está eternizada pelas mãos competentes de Albérico Bini num cartaz elegante e aristocrático. Exatamente como o Futebol de Alex.

Baixe o pôster, faça rodar pelas redes sociais e homenageie o último exemplar dos jogadores que vestem uma camisa por amor.

Alex vai parar.

 

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A arte é do engenhoso Albérico Bini. E o texto do cartaz vem da garganta poderosa de José Silvério.

 

REVEJA OS OUTROS CARTAZES DA SÉRIE QUE HOMENAGEIA O ALEX:

PELAS VEREDAS DE SIMÓN BOLÍVAR

A LETRA IMPECÁVEL

UMA PARÁBOLA ARGENTINA

O GOL QUE VALEU POR 400

 

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