Profissão: acreditar

Não basta ao torcedor do Clube Atlético Mineiro gritar, berrar e empurrar o time – ainda é preciso ter fé até o fim

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Eis que o Atlético Mineiro, tórrido amante da aflição, se vê novamente preso nos gadanhos do desespero.

Foi ao México, ontem, com a seriedade de quem vai a uma festa de criança e apenas assobiou distraído pelo gramado do Jalisco, palco sagrado do Futebol onde tudo deveria ser levado mais a sério. A consequência desse devaneio foi um jogo indolente, que terminou em um a zero para os mandantes, que também não jogaram tudo o que sabem mas falaram grosso, bateram na mesa e acenderam charutos com a comodidade de quem está em casa.

Mas o resultado, a rigor, é o que menos interessa, porque o Futebol, a gente sabe, é muito mais profundo do que a pura e simples contagem de bola na rede.

No caso do Atlético, Futebol é uma profissão de fé. Um exercício longo e obstinado de crer naquilo que tem cor, cheiro e gosto de impossível.

Quem estava vivo em 2013 e 2014 sabe bem do que eu estou falando.

De um tempo para cá, virar placares árduos e reverter vantagens graúdas virou o esporte preferido de quem traja branco e preto.

O impossível, esse obstinado, já até andou mostrando que não aguenta a pressão do Independência, que desmancha quando ouve os gritos inflamados de eu acredito, que não suporta perceber que é pequeno demais pra tamanha crença.


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Ser Atlético Mineiro é, na essência, nunca medir o tamanho do inimigo, mas a envergadura da própria história, posto que nessa pugna que é o Futebol interessa muito mais quem somos nós do que quem são eles.

O precavido vai dizer que o Atlético pode não classificar para as oitavas e faz bem em dizer isso – o Atlético pode, afinal, não conseguir.

Acontece que isso, o resultado, o classificar ou cair, é uma parcela miúda desse esporte sinuoso.

Perder é só um pedaço do jogo, mas acreditar é o todo.

Portanto, atleticanos, saibam que os senhores não têm o direito de duvidar. Essa prerrogativa foi rasgada naquele pênalti de Riascos e enterrada no gol dos fundos do Independência, mais fundo que o pré-sal.

Agora, como sempre e mais do que nunca, é preciso crer com a candura das crianças, que por não conhecerem as safadezas da bola e da vida debruçam o coraçãozinho diante das fábulas mais inverossímeis contadas na hora da cama.

Então, torcedor, envergue a alvinegra e brade aos quatro ventos que você acredita, que o Galo tem camisa, que vai dar – mesmo que não dê.

Porque a vitória está em acreditar.

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Fotos: Héctor Guerrero

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4 pronunciamentos sobre

Profissão: acreditar

  1. por que joga tão apático fora de casa?
    desde 2013 para cá que foram enterrados todas as ma sortes e injustiças, porem ate hoje o galo nao sabe jogar fora de casa.

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