O que sufoca o respeito

Eurico Miranda tentou vencer pelo medo – mas, por enquanto, está perdendo

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O respeito é um sentimentozinho tinhoso, cheio de capricho e vontade própria. Meio canhestro, quase encabulado, ele aparece assim, quando quer. E ainda faz umas exigências pra dar as caras, pedindo que, em troca, haja admiração, deferência, apreço e um pouco mais. Só assim ele se manifesta.

Talvez seja por isso, por esse seu jeito arisco, que o respeito resista tanto a participar da vida de Eurico Miranda, que o quer a todo custo mas não sabe bem como domá-lo.

Vejamos. Quando o cartola reassumiu o Vasco da Gama, no final do ano passado, tratou logo de bradar, a plenos pulmões, que o respeito, este serzinho frágil e acanhado, estava de volta à Colina.

Ora, Eurico confundia as coisas. Trocava respeito por medo e outros sentimentos torpes e vis, que brotam do lado escuro do coração. Ele queria uma coisa, mas pedia – ou determinava – outra.

E assim, querendo forçar uma situação, o presidente acabou colocando o próprio clube numa condição frágil, de escrete pouco amigo dos homens que regem o futebol.

O respeito não só não voltou como decidiu que passaria, a partir daquele dia, longe daquelas suas barbas sempre molhadas pelo ódio e pela saliva espessa da raiva.

E ontem, naquele Vasco vs Chapecoense, o respeito – ou desrespeito, seu irmão mais íntimo – decidiu rir na cara do mandatário, invertendo dois lances escandalosamente evidentes e mudando definitivamente o resultado de uma partida que poderia tirar o pescoço do Vasco da guilhotina.

Foram dois pênaltis clamorosos, um que não houve mas foi apitado, outro que houve mas foi sufocado. Os dois, é evidente, prejudicando o time regido por Eurico Miranda, o desafeto do carisma.

 

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O pró Chapecoense foi um desses lances que nos arrebata no sofá de casa, mesmo não torcendo por qualquer um dos clubes em campo, tamanha a afronta do apito. E, ao mesmo tempo, nos inunda o peito de pena do beque, que vimos, ali, diante da gente, recolher os braços mais até do que podia, evitando qualquer contato com a bola. Mas ainda assim, o juiz, este insensível, soprou o apito e apontou a marca da cal.

O penal não dado ao Vasco, no crepúsculo do jogo, foi outra vergonha. Thiago Luis subiu na área com os braços abertos como se fosse o Cristo Redentor, gesto evidente de quem quer tocar a bola com a única parte proibida.

Foi, podemos dizer, um assalto a mão armada, que brecou a subida bonita do Vasco da Gama, que vinha escapando da zona do desespero a pleno vapor.

Agora, viola em caco, o cruzmaltino segue a sina de tentar escapar dessa Alcatraz matemática, que o condenou 15 rodadas atrás, mas que insiste em dar brechas e fazer o impossível soar viável.

Acontece que o respeito, tão necessário nessas horas de agruras e dissabores, faz greve por aqueles lados e não se mistura com a fumaça espessa cuspida pelas bochechas morosas de Eurico Miranda.

O torcedor do Vasco que esqueça, de uma vez por todas, o respeito – ele não vem mais. Então, que se agarre à esperança, que ainda se faz amiga daquela gente.

 

Foto de apoio: Paulo Fernandes / Vasco da Gama

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2 pronunciamentos sobre

O que sufoca o respeito

  1. Como Coxa-Branca, nascido e criado, é estranho ver o Vasco assim. O Futebol prega peças e da o troco e a exemplo do que acontece nos bastidores da nossa confederação de futebol, o vasco paga pelo mal que seus dirigentes fizeram ao longo dos anos. Um esta na mira da justiça da terra, preso ou impedido de sair do país, outro esta sofrendo com a justiça divina, que pune com dor e sem anestesia.
    Mas eu sou grato ao Vasco da Gama. Agradeço a oportunidade de ver Carlos Germano, César Prates, Mauro Galvão, Felipe, Juninho Pernambucano, Pedrinho, Ramón, Edmundo, Donizete, Evair, Luizão…

  2. Mais do que ver os Euricos da vida se perderem em suas proprias bravatas, falta de respeito e vergonha, me doi ver qualquer equipe de futebol ser vergonhosamente roubada pelo homens que sao colocados em campo exatamente para evitar que uma equipe se prejudique por lances irregulares. Eurico Miranda bem merece, a soldo de suas fanfarrices e aulas explicitas de mau-caratismo, que a criatura se vire contra o criador, mas, pobre Vasco da Gama, suas cores, seu nome, sua paixao, sua torcida nao merecem que esses tipos hediondos(Euricos e juizes de ma-fe), lhe cruzem os caminhos. Desaparecem, decrepitos, pelo bem do futebol.

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