O jogo que nunca vai acabar

Em Copas do Mundo, os jogos duram 90 ou 120 minutos. Este Brasil x Alemanha, contudo, vai durar para sempre

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Justo nós, que sempre vivemos de patrocinar as mais célebres goleadas, hoje sentimos na pele a brasa quente da humilhação.

Nós, que sempre ofendemos nossos inimigos com um toque de bola vertiginoso, uma velocidade abissal, um jogo bonito, hoje fomos colocados na roda do escárnio.

Foi um baile ininterrupto dos alemães. Uma vergonha indelével, que ocupa desde já um lugar na miúda prateleira de memórias tristes do Futebol brasileiro.

Jamais esqueceremos deste 8 de julho. O dia em que Müller deixou de comemorar quando a contagem alcançou meia-dúzia. Talvez seja o mais puro respeito. Um respeito, aliás, que nem mesmo nós temos mais pela camisa canarinho.

Mas o fato, amigos, é que para evitar a dor da surpresa, acabamos parcelando a angústia em 90 minutos e 7 tentos. E assim, aos poucos, fomos nos habituando ao revés.

O problema é que essa não é uma derrota qualquer. Os infortúnios convencionais até começam a ser esquecidos no dia seguinte, mas as humilhações são definitivas, são bordadas ao escudo junto com cada estrela.

A dor verdadeira aparecerá só amanhã, quando formos às bancas de revista e depararmos com os berros impressos dos jornais, as fotos de choro e pranto que vão esmerilhar nossos coraçõezinhos. Ali, sim, essa derrota vai doer.

Infelizmente, meus caros, teremos de conviver com isso para sempre. Este Brasil 1 x 7 Alemanha é um jogo que nunca vai acabar.

Seremos sempre capazes de esquecer e ignorar, com o tempo, até uma faca enfiada no meio do peito, mas jamais conseguiremos esquecer a dor de um vexame acachapante como esse.

 

Foto: AP Photo / Leo Correa

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