O Futebol que embriaga e cura

O Internacional venceu o Emelec num jogo com todas as marcas de uma Libertadores da América

vinicius_costa_futurapress

 

Alguns jogos de Futebol têm a influência de embriagar o torcedor daquela cachaça que os estádios não vendem, mas que os campos fornecem: o delírio e o desvario das arquibancadas.

São aqueles embates dos quais a gente volta pra casa pisando em nuvens, lépido e grato por ter visto 90 minutos da mais ferrenha disputa.

Ontem, os 34 mil colorados que chacoalharam o Beira-Rio do começo ao fim devem ter se sentido assim no caminho de volta, posto que o duelo entre Internacional e Emelec foi desses que Alzheimer nenhum vai conseguir apagar.

Foi um jogo com a chancela da Libertadores da América. Isto é, cada chuteira em campo foi amarrada com veias e artérias. E delas saía sangue e dor a cada dividida.

Aos 10 minutos, D’Alessandro, o santo, lançou uma bola alada entre dois beques inimigos e colocou Nilmar na cara do gol pra anotar o primeiro.

Depois, vieram o empate e a virada, nascidas de igual forma, na distração insensata do conjunto defensivo vermelho, que tirou uma siesta na segunda metade do primeiro tempo. Bolaños, o garçom da noite, fez duas assistências cirúrgicas e calou o Gigante.

Veio o intervalo, vieram as brigas na arquibancada, veio Alex, veio o empate.

E veio também a cena cabal do jogo, o quadro definitivo: um cidadão numa cadeira de rodas foi tomado por tamanha cólera e êxtase que abandonou a deficiência no cimento do Beira-Rio e saltou, se pendurando no parapeito de vidro, mordendo os dentes e arranhando concreto.

 

rever

 

Aos 37 minutos, quando as taquicardias e sobressaltos já eram ouvidos além do Guaíba, houve um escanteio. E da bola cruzada com veneno nas mãos de Esteban Dreer nasceu um rebote. Mas não um rebote, foi o rebote. O couro veio rolando macio pela área enquanto beques e avantes ainda desciam do céu. E ela encontrou os pés firmes de Réver, que colocou todo ódio da infância em Ariranha no peito do pé e estufou um chute alado, que foi driblando todo e cada corpo que separava a bola do barbante.

O povão no José Pinheiro Borda entrou em ebulição, fervendo feito febre tifoide.

Nenhuma câmera mostrou o cidadão da cadeira de rodas, mas eu gosto de imaginar que ele se levantou outra vez e festejou e berrou e andou e abraçou a gente que estava ao seu lado, celebrando o tento e sorvendo a cura.

 

INTERNACIONAL 4 x 2 CORITIBA: RELEMBRE OUTRA VITÓRIA ÉPICA DO INTER NO BEIRA-RIO

 

Fotos: Vinícius Costa / Futura Press

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