Livrai-nos da euforia, amém

TEXTO DO CORNETA SELEÇÃO, DO TWITTER

alexandre_guzanshe

 

POR CORNETA SELEÇÃO, DO TWITTER

A euforia nunca foi uma boa conselheira. Na realidade, a euforia normalmente está vinculada àquela sensação de o que foi que eu fiz?, o gosto amargo do arrependimento que antecede o analgésico.

Foi uma boa vitória, nada mais do que isso, uma boa vitória. Em casa, com Mineirão cheio, vencer era obrigação.

Ahhhh, mas era contra a Argentina!, dirá o ufanista que se escora na grandeza alheia para exaltar seus feitos.

Ocorre que a tabela de classificação das Eliminatórias mostra quem era nosso adversário. Fora da zona de classificação, e bastante ameaçado de não ir à Copa do Mundo, sem ganhar nada há horas, cada ano que passa é um novo Tango, uma ode à esperança, e ao fracasso, seu inquilino mais fiel.

Ahhhhh mas eles tem o Messi! Tem. Mas não adianta ter um marceneiro que não tem ideia do que fazer com o martelo. Lionel da seleção não é o Messi do Barcelona. E, embora tenha renomados jogadores de ataque, a defesa da Argentina vaza mais que a barragem de Mariana. Dá pena de ver o Messi, olhar perdido, quase um Democrata vendo discurso do Trump.

Quanto ao Brasil, não andemos empolgados com amostra grátis de Rivotril. Depois de anos de angústia com uma seleção mais perdida que os pênaltis do Palermo, parece que caiu o 13º na conta do torcedor e até Skol virou cerveja artesanal, é tudo festa.

Lembremos que Dunga ficou 10 jogos invictos antes da Copa América de 2015 (vencendo a Argentina, inclusive), e depois foi aquele fiasco do tamanho da sua falta de carisma.

Dirão: mas não dá pra comparar o Dunga com o Tite. Verdade, Tite pelo menos é técnico, e Dunga é tão treinador quanto Neto é comentarista.

Não esqueçamos a Copa das Confederações, que o Brasil ganhou passeando, sobre uma famosa e estrelada Espanha, que um ano depois sequer passou da primeira fase da Copa do Mundo, mostrando todo seu poderio.

Quanto ao Tite, sempre haverá um Tolima em sua biografia. E a convicção de Adenor em insistir com Paulinho vai cobrar seu preço cedo ou tarde, ainda que este não tenha jogado tão mal ontem, a bola pune.

Talvez a vitória de ontem garanta um copo de cerveja pra alegrar a noite, uma semana tranquila para os jogadores, mas não é motivo pra chamar o Olodum no Pelourinho. A euforia, ela nunca foi uma boa conselheira, escutem a Corneta, esta nos protege do mal, amém.

 

Foto de capa: Alexandre Guzanshe / Estado de Minas / DA Press

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