Felicitazioni, Palmeiras!

Entre abraços trôpegos e a algazarra de uma vida inteira, um vascaíno honra o centenário palmeirense

gabriel_uchida_palmeiras

Já rascunhei em priscos textos sobre a influência do meu saudoso avô em minha orientação cruzmaltina. O que pouco comentei foi que, ao longo de minha catequese vascaína, meu velho também citava um clube de sua simpatia, nascido de imigrantes italianos em área popular da capital paulista.

Foi assim que, enquanto moldava em mim o amor pelo Vasco da Gama, meu avô plantava uma afinidade duradoura com a Sociedade Esportiva Palmeiras. E quando, ao eclodir a adolescência, vi meu surgente ídolo Edmundo voar da Colina para pousar em campos alviverdes, passei a me interessar com mais fascínio por aquela agremiação.

Ironicamente, o escudo considerado maior campeão do Brasil encarava um jejum de 16 anos sem erguer canecos. E quando eu tentava ver, nostálgico, jogadas do paladino craque que prematuramente deixara São Cristóvão, assombrei-me com o escrete quase mágico, formado por nomes como Roberto Carlos, Evair, Zinho, Edilson, dentre outros. Boquiaberto, assisti aquele selecionado fazer pó da escassez, menoscabando com seu arquirrival em goleada que lavou a alma de sua torcida, qual lama faz a festa dos porcos mais radiantes. Naquele mesmo ano, testemunhei aquela equipe fazer história com a conquista do torneio regional e do nacional, que seria bisado (assim como o estadual) no ano seguinte. O jejum, como sempre deveria ser, virava pretérito olvidado.


 

Alex comemora aquele que talvez tenha sida o mais belo gol marcado pela camisa palmeirense: chapéu em Ceni e um toque para as redes
Alex comemora aquele que talvez tenha sida o mais belo gol marcado pela camisa palmeirense: chapéu em Ceni e um toque para as redes

De lá para cá, mirei tantos outros craques a envergar aquela imponente camisa que a simpatia transitória converteu-se em carinho permanente. Tive o privilégio de ver a dupla Evair-Edmundo reprisar a sorte de campeão do Parque Antárctica nos gramados de São Januário. E acostumei-me a contemplar suas pelejas desejando sua vitória, sem o ardor de torcedor efetivo, mas qual familiar que almeja o bem de um ente tão querido quanto distante. Hoje, as similitudes entre o Palmeiras e meu Vasco recaem em aspectos menos inglórios do que merecem suas histórias. Por isso, em seu centenário, meus votos são de que o passado, tão ilustre e colossal, engula esse presente consternado. E nos devolva, em forma de futuro luminoso, novos motivos para recitar: Grato, Palmeiras, por novamente transformar a dureza do prélio na encantadora magia do futebol.

Parabéns.

 

A foto principal é do sempre presente Gabriel Uchida, do Fototorcida

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