Avenida Padre Cacique, 891

O novo Beira-Rio é um monumento essencial ao Futebol.

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São só três palavras ao léu e outros três números à revelia.

Mas eles contêm um fragmento descomunal da história do Sport Club Internacional.

Eles formam o endereço do estádio Gigante da Beira-Rio. E trazem no seu nome a fusão perfeita entre a beleza do sacro e a garra audaz do maior dos índios – o perfeito resumo do clube de Porto Alegre.

Hoje, este colosso do nosso Futebol, morada das glórias arrebatadoras de Falcão, abriu seus novos e imponentes portões para o povo.

E foi, meus amigos, uma experiência exuberante. O mais absoluto e espetacular delírio para a metade vermelha do Rio Grande do Sul, que se acotovelava diante do coliseu para desvendar cada pedaço da nova casa. Com os olhos turvados pela comoção evidente, os arquibaldos suspendiam seus telefones celulares no ar à procura do melhor ângulo para registrar aquilo que amanhã, no trabalho, na escola, no bar, nas ruas, jamais caberá em palavras.

O estádio é um raro portento. Um essencial monumento ao Futebol.

E ainda assim, há nele algo mais relevante do que toda essa imponência arquitetônica: o endereço. Sim, porque o Beiro-Rio permanece lá, à beira do Guaíba, exatamente onde ele sempre esteve, exatamente onde ele ganhou a alcunha de Gigante.

E isso, amigos, significa muito mais do que nós podemos imaginar. Porque a mística implacável construída ao longo dos últimos quase 50 anos está mantida intacta.

A névoa terrível que sempre baixou no campo, intimidando cada oponente, permanecerá lá, ainda mais espessa e inglória do que antes.

Os adversários, já habituados ao alçapão vermelho, continuarão tremendo quando suas delegações despontarem pela Avenida Padre Cacique, revelando o Hades vermelho que vaza pela coroa branca que veste a mais nova fundação de Porto Alegre.

Os torcedores, que forjam a alma desse gigante de concreto, continuarão ocupando os mesmos lugares, entoando os mesmo gritos terríveis e inflamados de sempre, executando nas arquibancadas o sarau delirante de antigamente, com mil flâmulas vermelhas e dois mil cachecóis brancos a subir pelos ares assustando os antagonistas. Até os bares, onde amigos, colegas e estranhos se encontram num carnaval efêmero para a última cerveja antes do embate, também permanecerão os mesmos.

E isso tudo, esse roteiro que segue os mesmos atos e cenas de décadas atrás, fará o escrete colorado se sentir inapelavelmente em casa. E não há nada mais cruel, meus amigos, do que jogar contra um onze que se sente assim, em casa. Porque ali, apoiado pela sua massa indelével, o time ganha uma coragem atroz, uma confiança medonha, e desce à pugna como uma criança cai na briga sabendo que ali, na roda nervosa que pede por sangue, está o irmão mais velho, impiedoso, pronto para ir à batalha ao menor sinal de socorro.

Esse acintosa convicção, que enverga até os mais confiantes adversários, o Sport Clube Internacional tem e terá para sempre. Jogará em casa, agora, mais do que nunca – está de pé o colossal, o mastodôntico, o Gigante da Beira-Rio.

 

Foto: Gazetapress

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