A grandeza se mede no espírito

O dia em que Ceará, Bragantino e América-RN foram os colossos do Futebol brasileiro

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É natural do ser humano, diante das inexatidões da vida, transferir a causa a qualquer outra pessoa, objeto, circunstância, que não encarar a sua responsabilidade.

No apertar do calo, recorremos ao sobrenatural, mistificamos os acontecimentos, chegamos mesmo a blasfemar o criador somente para não mirar o espelho e, em palestra solitária, proferir a auto-sentença fidedigna: falhei.

Em 2014, a data de 13 de agosto, quarta, calharia com justeza em sexta-feira. Dia de tragédia chocante, noite de Futebol extemporâneo.Como faz tão bem ao longo de sua trajetória, o Futebol desprezou a lógica tal qual amante ferido desdenha de seu ex-afeto.

Ceará, Bragantino e América-RN desbancaram respectivamente Internacional, São Paulo e Fluminense, mostrando que a Copa é do Brasil, em todos seus quinhões, e não somente em grandes centros. Vitórias tão intensas e imperativas que os termos grandes e pequenos tornam-se descabidos a esses confrontos.

E o que fizeram as pessoas? Duvidaram. “Eles preferiram a Sul-americana”, disseram alguns. “Perderam de propósito”, bradou outro.

Sei.


 

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Dispenso a mania de flautear o inimaginável. Os escretes cearense, bragantino e potiguar foram grandes, enormes, gigantes. Venceram seus adversários com categoria. Com a vontade de quem busca uma taça e não uma vaga. Com a certeza de que, enquanto há camisas que envergam varais, há aquelas que jogam com o coração no lugar do escudo, sem medo de sujar-se.

Aos gaúchos, cariocas e paulistas resta sempre a possibilidade de seguir o recente selecionado canarinho e fingir que o desastre foi só um “apagão”. Ou então, fitar seu reflexo e assumir seus erros. E quem sabe assim serem, de fato, grandes.

 

Foto: Julia Chequer / Folhapress

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